A MUBi apoia a campanha «Almirante Reis para Pessoas», que pretende mobilizar a população em defesa de uma Avenida Almirante Reis mais saudável, segura e confortável para quem nela vive, trabalha e se desloca. A campanha convida todas as pessoas a assinarem a petição e visitarem o site: “arparapessoas.pt“.

A requalificação da Avenida Almirante Reis é uma oportunidade rara para repensar um dos principais eixos de Lisboa. É também uma decisão que terá consequências durante muitas décadas. Para a MUBi, essa transformação deve servir para devolver espaço às pessoas, melhorar as condições para caminhar e andar de bicicleta, reforçar o transporte público e reduzir a pressão do tráfego automóvel.
A posição da MUBi é conhecida há mais de um ano.
Em Maio de 2025, a MUBi publicou um parecer detalhado sobre o projeto de requalificação da Avenida Almirante Reis, no qual analisou a proposta da Câmara Municipal de Lisboa e apresentou uma alternativa.
O parecer partia de uma constatação simples: o próprio processo participativo promovido pela Câmara de Lisboa tinha identificado como principais problemas da Avenida o tráfego intenso, a falta de espaços verdes, a má qualidade do ar, o ruído e a insuficiência e falta de acessibilidade dos passeios. Entre as propostas mais referidas pelas pessoas participantes estavam mais arborização, a manutenção e melhoria da ciclovia, o alargamento dos passeios e a redução do trânsito automóvel.
Contudo, a MUBi considerou que o projeto então apresentado não respondia adequadamente a essas prioridades. Entre outras questões, o projeto previa aumentar a capacidade rodoviária em vários troços, enquanto mantinha quase inalterado o espaço destinado aos peões e criava soluções cicláveis com dimensões e condições de segurança insuficientes.
A MUBi defendeu, por isso, uma Avenida com mais espaço pedonal, mais árvores, uma infraestrutura ciclável segura e funcional, melhores condições para o transporte público e menos espaço dedicado ao automóvel.
Uma posição partilhada por organizações da sociedade civil
A preocupação não é apenas da MUBi.
Em Outubro de 2025, a MUBi juntou-se a outras seis organizações da sociedade civil num comunicado conjunto sobre o projeto da Câmara Municipal de Lisboa. O comunicado apelava à reformulação do projeto e defendia que a requalificação deveria privilegiar as pessoas e não o aumento da capacidade rodoviária.
| Publicado a 4 Out 25 Requalificação da Almirante Reis: Projeto da Câmara de Lisboa privilegia o automóvel, não as pessoas O projeto para a requalificação da Almirante Reis apresentado no final de 2024 aumenta a capacidade rodoviária em vez de apostar no alargamento dos passeios e na melhoria das condições para peões, bicicletas e para o transporte público, piorando de forma flagrante a segurança dos utilizadores mais vulneráveis. Contraria, assim, as conclusões do amplo processo participativo que a própria Câmara de Lisboa promoveu e afasta-nos da cidade justa, saudável e sustentável que queremos. Face ao exposto, apelamos a uma reformulação do projeto que respeite os resultados do processo participativo, privilegiando as pessoas, não os carros. O projeto para a requalificação da Avenida Almirante Reis apresentado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) aumenta significativamente a capacidade rodoviária daquele eixo: entre o Martim Moniz e a Alameda, o projeto aumenta em 50% a capacidade do espaço rodoviário, passando de duas para três vias. Em contrapartida, o espaço para os peões não se altera significativamente (continuando indigno para os fluxos pedonais existentes e expectáveis) e o espaço alocado à bicicleta é reduzido, propondo-se uma ciclovia ziguezagueante, sem as dimensões mínimas regulamentares, integrada no passeio, que rasa imensos obstáculos e anuncia graves conflitos entre peões e bicicletas. Também os conflitos entre peões e automóveis são agravados, já que o perfil proposto obriga os peões a atravessar 3 vias de uma assentada e convida a maiores velocidades. É com perplexidade que vemos a CML insistir nestes erros, tantas vezes repetidos com péssimos resultados. E é lamentável que a CML contrarie o Manual de Espaço Público de Lisboa, aprovado em Assembleia Municipal, e, pior, que o faça num dos eixos com maior volume de peões e bicicletas da cidade e num contexto onde a procura só tende a aumentar.Merecem também referência as soluções desadequadas propostas para a Praça do Chile, para a Alameda, e para o troço entre a Alameda e o Areeiro, todas caracterizadas por perfis rodoviários excessivos, que potenciam atravessamentos pedonais perigosos, passeios de largura insuficiente e infraestruturas para bicicletas estreitas e inseguras. Além de estar em contracorrente com as melhores práticas europeias, o projeto contraria as conclusões do processo participativo que a própria CML promoveu. Neste, a grande maioria dos cerca de 2.500 participantes considerou que existe excesso de tráfego automóvel na Avenida e pretende que nesta se privilegie a acessibilidade pedonal, bicicleta e transporte público. Para que servem os processos participativos se se desrespeita de forma tão evidente e reiterada os seus resultados? Este projeto denota a ausência de uma visão para a cidade e nenhuma intenção de proteger a Baixa Pombalina do tráfego automóvel. Deixa ainda sem resposta alguns dos principais problemas que urge resolver. – Lisboa destaca-se como uma das capitais europeias com mais atropelamentos mortais e que menos aposta na segurança para os utilizadores de bicicletas, potenciando-se o agravamento destas condições. – A qualidade do ar em Lisboa é motivo de preocupação, num contexto em que a poluição do ar é um problema de saúde pública grave, contribuindo para cerca de 6.000 mortes prematuras por ano em Portugal. Entre os grupos mais vulneráveis estão crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. – Lisboa surge em penúltimo lugar no ranking europeu de mobilidade urbana infantil da Clean Cities Campaign, quando se sabe que ruas adaptadas às crianças se traduzem em mais atividade física, em melhor qualidade do ar e da saúde respiratória, na redução dos acidentes rodoviários e na valorização e humanização do espaço público para todos. Por tudo isto, é incompreensível que o projeto atribua às pessoas em bicicleta e a pé ainda menos espaço do que já têm, colocando-as em disputa, ao mesmo tempo que se recusa a reduzir o tráfego automóvel na Baixa, que deveria transformar-se numa Zona de Zero Emissões (ZZE) e com tráfego motorizado reduzido. Apesar de apresentar pontos fortes, que não pretendemos desvalorizar, o projeto parte da vontade política de reforçar a primazia ao automóvel, o que o torna estruturalmente errado. Quando se discute um investimento superior a 21,5 milhões de euros (!) que determinará a utilização de Almirante Reis nos próximos 50 anos, importa perguntar: que cidade queremos? Assim, e num tempo eleitoral de intenso debate de ideias sobre o futuro de Lisboa, apelamos a que se repense todo este eixo, assim como a Av. da Liberdade (ambos com valores de poluentes muito acima dos recomendados pela Organização Mundial de Saúde), integrando a proteção da Baixa num Plano de Mobilidade para a cidade que tarda ver a luz do dia. Precisamos, com urgência, de uma cidade que dê prioridade às pessoas, aos modos ativos e ao transporte público. Subscritores: – MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta – ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável – Caracol POP – Associação – Moradores de Arroios – Estrada Viva – Liga de Associações pela Segurança Rodoviária e Mobilidade Sustentável – APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil – ACA-M – Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados |
No mesmo mês de Outubro participamos num debate sobre a Avenida no Regueirão dos Anjos.

Desde então temos procurado reunir com o executivo da CML, para aprofundar este e outros temas, disponibilizando-nos sempre a colaborar no desenvolvimento das melhores soluções, mas temos recebido pouco acolhimento.
Face ao previsível avanço do projecto, e uma vez decorrido mais um ano depois do nosso parecer detalhado e do comunicado conjunto das várias associações sem que tenhamos tido nota de qualquer alteração ao mesmo, concordamos ser altura para lançar uma que alerte a população para os erros que temos vindo a denunciar. Não podemos, pois, deixar de apoiar a campanha lançada pelos Moradores de Arroios..
Esta campanha surge como reação a um executivo que tanto prometeu trabalhar com as pessoas, mas que tem liderado de costas voltadas para a sociedade civil.
Mapa com os locais para assinar a petição em arparapessoas.pt