A MUBi participou presencialmente na Assembleia Geral da Federação Europeia de Ciclistas (ECF, no inglês), realizada em abril de 2026 em Bruxelas, reforçando o seu compromisso com a promoção da mobilidade em bicicleta e com o acompanhamento das principais iniciativas europeias nesta área.

Ao longo dos dois dias de trabalhos, estiveram em discussão as prioridades estratégicas da ECF para os próximos anos, bem como os desafios que se colocam às organizações que promovem a utilização da bicicleta em toda a Europa.
Um dos momentos relevantes foi o workshop conjunto entre a ECF e as Indústrias Europeias da Bicicleta (ECI, no inglês), dedicado à colaboração entre organizações da sociedade civil e a indústria da bicicleta. Ficou evidente que uma das principais apostas do setor passa pelo desenvolvimento de programas de bike leasing com conversão salarial, já implementados com resultados muito positivos em países como a Alemanha e a Bélgica. Estes modelos permitem que trabalhadores adquiram bicicletas através de benefícios fiscais associados ao salário, constituindo uma alternativa competitiva aos incentivos tradicionalmente concedidos ao automóvel.
A Assembleia Geral fez igualmente um balanço muito positivo do trabalho desenvolvido pela ECF em 2025. Entre os principais resultados destacam-se o projeto Cycling Counts, que está a criar a primeira base de dados comparável sobre utilização da bicicleta nos Estados-Membros da União Europeia, a aprovação da Declaração Europeia sobre o Uso da Bicicleta (oficialmente, Declaração Europeia sobre o Velocipedismo) e a revisão da diretiva europeia relativa ao desempenho energético dos edifícios, que passou a prever estacionamento para bicicletas em novos empreendimentos imobiliários.
Para 2026, a prioridade estratégica da ECF será influenciar o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia (2027–2034), defendendo um reforço significativo do investimento em políticas e infraestruturas para a bicicleta. Paralelamente, a federação pretende aumentar a sua sustentabilidade financeira através da coordenação de projetos europeus e da participação em novos consórcios internacionais.
As discussões entre os membros evidenciaram também a diversidade da própria rede da ECF, composta por organizações com dimensões, capacidades e necessidades muito distintas. Para associações de menor dimensão, como a MUBi, foi particularmente relevante o debate sobre mecanismos de capacitação (capacity building) que permitam fortalecer as organizações nacionais e aumentar o seu impacto. Esta reflexão abre oportunidades para aprofundar futuras formas de colaboração entre a ECF e os seus membros.
Outro dos temas abordados foi o processo de internacionalização da ECF, que poderá conduzir à sua evolução para uma federação de âmbito global. A decisão foi adiada para 2027, permitindo aprofundar a análise das implicações estratégicas e financeiras desta transformação.
Durante a Assembleia Geral realizou-se igualmente a eleição de um novo membro do Conselho de Administração da ECF. A MUBi apoiou uma candidatura de um dos seus membros, refletindo o nosso empenho e o reconhecimento do trabalho desenvolvido e reforçando a presença portuguesa na comunidade europeia da mobilidade em bicicleta.
A participação permitiu ainda estabelecer contactos com diversas organizações europeias, abrindo perspectivas de colaboração futura, nomeadamente com representantes de Montenegro, da Grécia e da Federação Polaca de Ciclistas, bem como com entidades ligadas à inovação em mobilidade ativa.
Para a MUBi, esta presença constituiu uma importante oportunidade de aprendizagem, de partilha de experiências e de reforço da sua integração na principal rede europeia de promoção da bicicleta. O conhecimento adquirido e as relações estabelecidas contribuirão para fortalecer a capacidade da associação em acompanhar as políticas europeias, identificar oportunidades de financiamento e desenvolver novas parcerias internacionais em benefício da mobilidade sustentável em Portugal.


