2011 foi o ano da afirmação da bicicleta como meio de transporte em Lisboa e, até, no resto do país. O ano em que, efectivamente, se tornou normal ver pessoas a circularem de bicicleta na cidade, nas suas deslocações e com as suas roupas quotidianas.

A conjuntura que atravessamos pode ser encarada como um catalisador desta adesão à mobilidade em bicicleta. Mas, por outro lado, também pode ser um obstáculo a muitas iniciativas, obras e negócios que terão como público alvo uma população com um poder de compra cada vez menor. Adicionalmente, à crescente escassez de recursos juntam-se a falta de coragem política e o vazio de estratégia para a mobilidade do estado português em geral, intercalados pontualmente por algumas acções fugazes, aqui e ali, que oscilam entre a propaganda “verde” e programas de mobilidade sustentável envergonhados.
Há cada vez mais quilómetros de ciclovias, ciclofaixas, ecopistas e afins que, à partida, seriam um sinal de mudança nas mentalidades das entidades do estado. Infelizmente, a maior parte destas vias são acções isoladas, sem uma estratégia de mobilidade definida a nível local, regional ou nacional. Raramente servem como ligação entre dois pontos essenciais da vida dos cidadãos e, consequentemente, dificilmente poderão servir, no curto prazo, para melhorar a mobilidade urbana em bicicleta. Além disso, frequentemente, estão mal construídas e oferecem uma falsa sensação de segurança. Resta-lhes o mérito, inegável, de terem posto mais gente na bicicleta, mesmo que, por agora, apenas como instrumento de lazer, mas potenciais utilizadores da bicicleta como meio de transporte num futuro próximo.
A Massa Crítica / Bicicletada é, provavelmente, o evento de 
Em 2011, além da MC, surgiram muitos outros encontros/passeios de bicicleta, com variadíssimos temas e motivações. Os nus foram proibidos em Lisboa mas, mesmo assim, aconteceu a 1ª Word Naked Bike Ride em Portugal, em luta por um melhor ambiente. O movimento Cycle Chic também cá chegou, num primeiro passeio molhado mas, nem por isso, menos elegante. Este deu lugar a um outro, seco, e ambos foram bem sucedidos, levando a vaidade dos ciclistas para além da performance desportiva das suas gingas.
Outra iniciativa, já com algum tempo e, também, com alguma distribuição geográfica
Diferentes grupos de amantes das bicicletas têm surgido, como que em representação de cada “tribo”. Dando, assim, origem a outros tipos de eventos, para além dos passeios. Multiplicam-se os encontros de pasteleiras em locais como Murtosa, S. Brás de Alportel, Viana do Alentejo, Setúbal. Outros organizam brunches em jardins ou pic-nics com corridas no velódromo da Malveira.
Outro reflexo desta tendência é o surgimento de novas actividades económicas orientadas para a mobici. Desde iniciativas individuais de alguns utilizadores que criam acessórios como bonés ou bolsas para ferramentas, até novas lojas que vão surgindo, ou outras que se adaptam a esta nova tendência, adicionando aos seus produtos e serviços para os ciclistas desportivos, outros mais virados para os ciclistas urbanos. Estas lojas procuram, hoje, servirem de núcleos aglutinadores da comunidade, promovendo iniciativas como a Feira de Bicicletas Usadas ou as sessões de cinema.
Precisamente, um dos eventos anuais associados à bicicleta é o Bicycle Film Festival que, em 2011,
Esta variedade de “tribos” também se reflecte na proliferação de blogues no ciberespaço. Cada uma com a sua abordagem, o seu tema e a sua localização geográfica. Mais uma vez, se destaca a força que o movimento tem ganho na cidade invicta, onde já existe uma pequena mas crescente comunidade a desenvolver um trabalho de campo, de forma a tornar a cidade mais amiga de quem utiliza a bicicleta como transporte.

Por outro lado, também os meios de comunicação tradicionais começam a dar destaque ao fenómeno da bicicleta enquanto meio de transporte. Foram frequentes as reportagens na rádio e na televisão sobre o tema da bicicleta, para além da volta a Portugal em bicicleta. Entrevistas com utilizadores frequentes, outros que queriam começar e, ainda, outros que ajudavam a começar.
Finalmente, 2011 foi o ano do ressuscitar da MUBi. Esta já existia desde 2009, mas estava adormecida, indefinida nos seus objectivos concretos e nos seus membros executivos. Mas está cá para ficar. Das acções com mais visibilidade, lançou o projecto Bike Buddy, que gerou enorme notoriedade e já pôs muita gente a pedalar no seu dia-a-dia, e desenvolveu a campanha Rodas de Mudança, que mostrou que a bicicleta está acessível a qualquer um.
Para 2012, a MUBi, tem vários programas na calha. O Desafio Modal, que permitirá uma comparação efectiva entre diferentes meios de transporte urbano, e as acções de promoção e educação para o uso da bicicleta irão continuar. Além destes, prosseguirão outros projectos menos visíveis, com objectivos de mais longo prazo, mas nem por isso de menor importância. A título de exemplo, apenas estes: as alterações para um código da estrada mais amigo da mobici; a colaboração com outras ONGAs associadas ao tema da mobilidade, no âmbito do projecto VoCA – Volunteers of Cycling Academy; a monitorização das actividades das entidades oficiais relacionadas com este tema.
A profecia dita que em 2012, ocorrerá o fim do mundo. Na MUBi, preferimos acreditar que será apenas o fim do mundo tal como o conhecemos. O princípio do fim de uma mobilidade baseada no automóvel, e a passagem para uma mobilidade mais amiga do ambiente e mais sustentável, para termos cidades mais humanas e saudáveis. A bicicleta terá, sem dúvida, um enorme papel a desempenhar nessa mudança. E a MUBi quer, com a colaboração de todos, tornar essa (r)evolução mais fácil e equilibrada.
Boas pedaladas para 2012!


